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"Quatro pesquisas sobre o leite materno e suas potenciais ações no futuro de parte das crianças e suas famílias, com possível influência nos sistemas de saúde, mas também na educação, na economia e no meio ambiente", analisa o pediatra Moises Chencinski sobre as ações no presente do aleitamento materno
por Dr. Moises Chencinski - colunista
20/07/2026
A OMS continua reforçando sua recomendação:
Aleitamento materno desde a sala de parto até dois anos ou mais, exclusivo e em livre-demanda até o sexto mês.
Quatro estudos recentes abordam temas relacionados à importância do aleitamento materno em longo prazo e em situações específicas que merecem ser citadas.
O primeiro: Pediatric Research (03/2025) – Japão. Correlação entre a duração de aleitamento materno e o risco de sintomas depressivos em adolescentes (aos 13 anos), em 872 díades mãe-filho. A duração de 6 a 18 meses de aleitamento materno foi significativamente associada a um risco reduzido de sintomas depressivos aos 13 anos de idade. Os períodos de aleitamento abaixo de 6 meses e acima dos 18 meses não trouxeram essa diminuição nas taxas.
O segundo: Nutrients (08/2025) - Reino Unido. Diferenças no desenvolvimento neurocognitivo entre crianças que não receberam leite materno e as que receberam por pelo menos 6 meses.
A análise com 11.337 mães confirmou os benefícios intelectuais a longo prazo do aleitamento materno por 6 meses no desenvolvimento da criança, sugerindo melhor desempenho acadêmico, maior QI e melhor capacidade de fala, com excelentes resultados em testes acadêmicos de leitura, matemática e ciências.
O terceiro: European Journal of Clinical Nutrition (03/2026) – Japão. Participação do aleitamento materno na duração do sono infantil aos 12 meses de idade, analisando 82.918 pares de mães-bebês e seu padrão de aleitamento durante os primeiros 6 meses de vida, comparando a duração de sono aos 12 meses, divididos em 4 grupos: bebês amamentados exclusivamente por 6 meses, bebês alimentados exclusivamente com fórmula infantil por 6 meses, bebês amamentados por menos de 6 meses e os que tiveram aleitamento materno misto (leite materno + fórmula) por 6 meses.
Após ajustes, o estudo concluiu que bebês amamentados exclusivamente durante os primeiros seis meses apresentaram uma probabilidade de 23% menor de sofrer com períodos curtos de sono em comparação com bebês alimentados com fórmula e que quanto maior o período de amamentação, menor o risco de privação de sono para o bebê com um ano de idade, ao contrário da crença geral que, pelo fato de o leite materno ser digerido mais rapidamente, eles acordariam mais à noite.
O quarto: Biological Psychiatry Journal (06/2026) – Noruega. Relação entre amamentação e o desenvolvimento de sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) durante a infância (3, 5 e 8 anos de idade), avaliando dados de 37.463 crianças e de 18.349 unidades mãe-pai-filho do Estudo Norueguês de Coorte de Mães, Pais e Filhos.
Os resultados sugerem que o aleitamento materno exclusivo pode oferecer proteção parcial contra os sintomas de TDAH na infância, mas que estudos adicionais são necessários para compreender os mecanismos potenciais dessa associação.
São quatro pesquisas sobre o leite materno e suas potenciais ações no futuro de crianças e suas famílias, com possível influência direta nos sistemas de saúde, mas também na educação, na economia e no meio ambiente.
Mas, e se não houver futuro?
Oi?
E se de hoje até esse futuro acontecerem mudanças, transformações que não podemos prever hoje?
Oi, de novo?
O melhor lugar do mundo é aqui e agora
Esse é Gilberto Gil com sua perspicácia, sua sutileza, sua forma de nos acolher e nos despertar com um suave e amoroso chacoalhão. Na sua obra “Aqui e Agora” (do álbum Refavela - 1977), Gil reforça que o sentido da vida não está em procurar lugares ou momentos perfeitos para atingir e sim em viver intensamente, plenamente, e reconhecer o valor do presente.
Sim, pesquisas são importantes.
Sim, o futuro, algum futuro, vai chegar.
Sim, esperamos estar nesse futuro com nossas melhores condições.
Tem uma frase que é atribuída a Emily Dickinson, poeta norte-americana (1830-1886) que teve apenas 10 poemas publicados enquanto ela estava viva, no seu presente. Todos as suas outras quase 1.800 poesias foram reconhecidas no futuro (dela), após sua morte.
Sua frase:
“O para sempre é feito de agoras”.
Nós temos o hábito de focar no “quando”, no “já, já”, na eternidade, enquanto o nosso presente maior, a vida, acontece aqui e agora.
Dados do estudo publicado pelo Prof. Cesar Victora et al (e outros), em sua série sobre amamentação, no The Lancet (2.016) mostram que:
“A ampliação do aleitamento materno para um nível quase universal poderia prevenir 823.000 mortes anuais em crianças menores de 5 anos e 20.000 mortes anuais por câncer de mama.”
E complementa com esse outro artigo:
“A ausência de aleitamento materno está associada a menor inteligência e a perdas econômicas de cerca de US$ 302 bilhões anualmente.”
Estamos falando em um ano, futuro. E se esses números fossem “traduzidos” para um dia, será que seriam menos impactantes?
2.254 mortes de crianças abaixo de 5 anos, 54 mortes por câncer de mama e economia de 827 milhões de dólares POR DIA.
É necessário esperar um ano de futuro para impactar?
Um dia do presente deveria bastar.
O leite materno é o padrão-ouro de alimentação infantil. É um alimento vivo, que se modifica do começo ao final da mamada, do começo ao final do dia e com o decorrer dos dias, oferecendo o necessário e suficiente para a nutrição adequada do lactente.
É preciso reforçar a proteção contra doenças pelos anticorpos que chegam através do leite materno.
Nutrição e proteção contra doenças. Isso é aconselhamento na raiz.
- Poucas e relevantes informações.
- Linguagem simples.
- Sugestões. Não ordens.
“O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente”.
Mahatma Gandhi
“O segredo da saúde mental e corporal está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sabia e seriamente o presente”.
Buda
Duas reflexões e um convite para a ação.
Que tal proteger, apoiar e promover o leite materno agora?
Está em dúvida? Pergunte-me como.
Dr. Moises Chencinski - CRM-SP 36.349 - PEDIATRIA - RQE Nº 37546 / HOMEOPATIA - RQE Nº 37545